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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Garrafa #21: Cerveja Colorado Appia e uma memória tão doce quanto o mel

Arte feita com rótulo da Colorado Appia
Arte de capa com montagem no rótulo da Colorado Appia
Este blog foi criado há alguns meses com o objetivo pessoal de falar sobre memórias relacionadas às cervejas que tenho conhecido ao longo dos últimos anos, lembranças que são sempre revividas a cada vez que olho para alguma das garrafas que ainda guardo comigo. 

Memória, para mim, é algo mais do que importante, é valiosa, é confortante e muitas vezes motivo de leve sorriso quando estou só. Por isso faço de tudo e mais um pouco para cultivá-las. E é justamente nisso que a cerveja tem me ajudado, pois tem se tornado um marco, não a essência, mas o ponto de partida para muitas de minhas melhores e mais preciosas lembranças.

Você já parou para pensar que pode chegar o dia em que você não tenha mais nada, além de suas memórias, suas recordações? ou ainda, você já parou para pensar que um dia você pode ser apenas uma lembrança para alguém?

São perguntas como essas que tem me acompanhado nos últimos dias e respostas para as mesmas nem sempre são exatas e muito menos fáceis. A maioria das pessoas sequer gostam de falar sobre isso, mas ninguém escolhe o momento que uma pessoa passa a ser uma memória; as coisas simplesmente acontecem, estejamos nós prontos ou não. Então, outra pergunta que me vem: o que fazer, além de aceitar?

Se faço essa pergunta durante uma conversa, a resposta muitas vezes é um silêncio, na maioria das vezes acompanhado por tristeza. Se me questionam sobre isso, minha resposta talvez seja relacionada às memórias que criamos e deixamos, pois isso não tem prazo de validade em quem nos tire, pois é algo nosso, só nosso e de mais ninguém.

Neste ponto, imagino que você esteja se perguntando qual é o sentido deste post, um tanto quanto melancólico, acertei? Pois é, acho também que você já sabe o que deve ter acontecido, por isso, pulemos esta parte, e falemos do que fica, porque e como fica.

No último domingo, assim que recebemos a notícia da perda de uma pessoa muito importante e querida de nossa família, me lembrei de uma foto tirada há agumas semanas e que, para minha supresa, não trazia nada de triste, pelo contrário: Mesmo em meio a uma grave enfermidade, dor,  angústia e incerteza, foi possível viver um momento extremamente descontraído e feliz. Foi possível esquecer a tristeza e a dor, mesmo que brevemente, graças ao simples fato de uma pessoa, pela primeira vez na vida, experimentar uma cerveja artesanal e descobrir, mesmo em algo velho, uma novidade.

Numa tarde de domingo, enquanto eu estava na casa de minha sogra, onde sempre mantenho uma boa quantidade de cervejas artesanais dos mais variados rótulos, recebemos a visita de uma tia que há muitos anos estava lutando contra o câncer e eu, como sempre faço, resolvi apresentar uma das cervejas que tinha ali. Não me recordo bem porque escolhi uma Colorado Appia, que nem é uma de minhas preferidas, talvez tenha sido pela baixa graduação alcoólica e pelo paladar leve e doce. Mas a lembraça que agora tenho da pessoa que se foi é de um olhar curioso e atento, do sorriso após a degustação de olhos fechados, da pausa para sentir o gosto e da respiração leve e sem pressa. Da gratidão que senti ao ouvi-la dizer que não sabia que existia cervejas com sabores tão bons e diferentes e que nunca havia passado por uma experiência como aquela, o que a deixou feliz. Isso foi muito, muito reconfortante, mas acho que nada vai valer tanto quanto ver um sorriso, tão precioso, tão inesperado e tão eterno...  E esta é a memória que fica, que ninguém apaga e que tudo supera...


Saúde!
Foto da tia que se foi, enquanto degustava uma Colorado Appia
Uma foto de família: O sorriso eterno

terça-feira, 28 de abril de 2015

Garrafa #02 - Wells Waggle Dance: Uma opinião, uma viagem, uma HoneyBeer e um momento inesquecível.

Cerveja de mel, será que isso é bom? Deve ser!


Montagem com o rótulo da Wells Waggle Dance - Cerveja de Mel
Wells Waggle Dance - Cerveja de Mel

Em Ouro Preto...
A história que envolve esta e as duas próximas cervejas faz parte de um momento muito especial da minha vida: a viagem que Mônica e eu fizemos à Ouro Preto, em Minas.

Eu me lembro da primeira vez que ouvi falar sobre essa cidade, foi numa aula de história, quando eu estava na sétima série e naquela aula eu disse para mim mesmo “um dia eu andarei por essas ruas, um dia verei esse lugar”. Mais adiante, já durante o último ano escolar, quando eu estudava num curso de Design Gráfico, na Etec de Carapicuíba, durante uma das aulas de história da arte, o professor João (Jocoso) nos contou sobre Ouro Preto, a arte barroca brasileira, as igrejas, prédios, pinturas, esculturas.. ele mostrava imagens e ia nos envolvendo com a genialidade de Aleijadinho, Ataíde e tantos outros, as caracteristicas que diferenciavam nossa arte do barroco europeu, os detalhes que cada artista mantinha em seus trabalhos, os significados de cada traço, o objetivo de cada um daqueles artistas que marcaram uma época. Eu ficava fascinado com aquilo tudoPreparando o terreno. 

Aprendendo sobre tudo
As aulas eram às sextas-feiras, um dia em que eu talvez fosse o único adolescente ( quase adulto) que não quisesse sair da aula de jeito nenhum. Depois das aulas na Etec, que iam de 13h30 até as 18h, eu ia direto para a escola, onde eu teria uma aula de literatura, com o professor Celso, uma pessoa a quem atribuo muitos valores. Um homem apaixonado por sua profissão, que não economizou incentivos e apoio naquele momento em que eu estava prestes a deixar a escola. Ele me emprestava livros como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom casmurro, Senhora, pedia que eu escrevesse e corrigia as minhas redações, me explicava coisas sobre a vida, que eu poderia ser o que quisesse quando saísse da escola, que o futuro era muito maior e melhor do que eu poderia ver naquele momento. Um grande professor, de quem eu sinto muitas saudades e a quem eu ainda devo uma visita na escola, se é que ele ainda está por lá.

Depois das aulas de literatura, quando a grande maioria dos alunos ia embora, afinal era sexta-feira, éramos muito jovens, cheios de energia e tinha balada para ir, eu era um dos poucos que ficavam na escola e, mais do que isso, aguardava com muita ansiedade pela aula que estava prestes a começar, a aula de história, com o professor Barcala. Dos poucos alunos que ficavam, a maioria não se importava com o que o professor tinha a dizer, eles interrompiam a fala a todo momento, faziam barulho, davam risadas do professor e faltavam com respeito, o que deixava o professor muito zangado. Imagina você, tendo que falar algo para um grupo de pessoas que fica sentada à sua frente sem demonstrar nenhum interesse e tentando te fazer perder a linha, é de dar raiva, não?

Comos os mineiros, indo pelos cantinhos...
Era neste ambiente, que eu tentava conversar com o professor, depois que ele já não suportava mais tentar botar algo naquelas cabeças vazias. Eu ia à sua mesa e pedia explicações sobre muitos acontecimentos na historia brasileira. Falávamos muito sobre a história de Minas Gerais, sobre as políticas que levaram muitos brasileiros a se revoltarem contra a coroa portuguesa, sobre como muitos governos se valiam da força para manter a população sobre controle. Ele também me falava muito sobre a historia de Carapicuíba, nossa cidade, o valor histórico de nosso patrimônio. 

Um professor e sua missão
Uma outra coisa muito legal, que o Barcala nos transmitiu, foi a ideia de que você precisa se conhecer, saber de suas origens. Ele nos pediu que fizéssemos uma árvore genealógica, que buscássemos nos documentos de família, a origem de nossos pais, de seus pais, de seus pais, de seus pais.. Mais do que entender sobre a origem, eu aprendi que a experiência de buscar por algo, ir o mais longe que você puder e não desistir enquanto não econtrar, é algo marcante na vida de qualquer pessoa, é algo que nos realiza como ser.

Vivendo a experiência
Foram todas essas coisas que me levaram à Ouro Preto. Passei seis dias andando por aquelas ruas, adentrando minas de ouro, museus, igrejas, bares, contemplando as vistas daquele lugar fantástico.. mas foi na última noite, a da despedida, que a cerveja passou a fazer parte daquele momento. Nós passamos duas ou três vezes pela Rua Direita, se não me engano, e vimos uma pequena porta, que mais parecia um porão e não chamava muita atenção de quem estivesse andando por ali. Como havia uma inscrição, eu decidi entrar. Era um bar. Você passava por aquela portinha e ia andando pelo corredor que dava acesso a um quintal, onde colocaram algumas mesas e fizeram um bar.

Wells Waggle Dance, em Ouro Preto-MG
Wells Waggle Dance, em Ouro Preto-MG

















Que experiência, que momento!
Logo de início o ambiente já ia nos envolvendo, com músicas do Scorpions e outras bandas das quais eu gostava muito e uma iluminação que nos deixava muito a vontade. Fomos atendidos por um garçom muito atencioso, a quem pedimos uma sugestão de bebida e nos indicou primeiro uma Backer e depois uma Wells. Até aquele momento, eu nunca havia experimentado uma cerveja em seu próprio copo, ninguém nunca havia servido uma cerveja de trigo e chacoalhado a garrafa antes de terminar de preencher o copo. Eu fiquei curioso sobre o nome “Wells Waggle dance” e li no rótulo que “Waggle Dance” é o nome do movimento que uma abelha faz para indicar para as demais que uma fonte de néctar foi encontrada. Eu achei tudo isso muito mágico e fiquei muito encantado. Naquele momento em específico, eu passei a enxergar a cerveja como uma experiência e decidi que queria viver muitos outros momentos como aquele.

Eu queria mais!
Depois, numa outra oportunidade, eu a comprei mais uma na Dona Deola, na Granja Vianna e bebi com a Mônica. Também recebi uma Wells Banana num dos BeerBoxes que passei a assinar. O cheiro e realmente lembrava banana, mas não o sabor, o que de maneira nenhuma faz com que não seja uma boa cerveja, muito pelo contrário. Foi com esta última que eu percebi que cheiro e sabor nem sempre são a mesma coisa. Doido isso, né?!

Prateleira com Wells Waggle Dance, na Dona Deola
Wells Waggle Dance, na Dona Deola

legal, mas e sobre a cerveja?
Um rápido comentário que posso fazer sobre essa cerveja é que você já percebe a diferença na textura, na espuma e na coloração, quando vê pela primeira vez, porque realmente lembra um pouco as características do mel, mas fica ainda mais bonito no copo, ou melhor, na taça. No sabor, você sente de início uma coisa mais adocicada, o que é muito bom. Mas não é uma dulçor exagerado, daqueles que você enjoa e não consegue terminar a garrafa; pra mim, tudo na medida, é uma excelente cerveja!




Gostou da memória?
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Wells Waggle Dance
Conhecendo uma cerveja de mel



Wells Waggle Dance - é muito boa
Meus amigos tinham que saber disso!
Foto dagarrafa da Wells Waggle Dance que veio de Ouro Preto-MG
Na coleção a garrafa da Wells Waggle Dance que veio de Ouro Preto-MG

Cheers!!! 




No copo, cerveja especial, na garrafa, memórias. Bem vindo ao meu blog!

Você também já se perguntou por que todas as cervejas que se vê na maioria dos bares são do tipo Pilsen?


Curiosidade de criança

Desde criança, eu sempre me perguntei o que diabos queria dizer aquele “Cerveja Pilsen” nos rótulos de cerveja que eu via por aí. Por que é que todas tinham aquela frase, pensava eu. “Será que era de onde elas vinham, tipo o 'Champagne', que era na verdade o nome da cidade onde produziam aquela bebiba?", era a resposta que eu encontrava.


Algumas histórias que já estão sendo contadas
As primeiras memórias


Uma meta
Hoje é dia 27 de abril de 2015, eu estou de férias do trabalho e estou cumprindo uma das metas que impus para mim mesmo: catalogar as garrafas de cerveja que tenho reunido ao longo do último ano. Desde que passei a consumir essa bebida, passei também a guardar as garrafas porque as achava bonitas, no início. Depois as guardava porque acreditava que, ao olhar para cada uma delas, eu poderia recordar o dia que as bebi, as pessoas que estavam comigo, o local onde muitas vezes varamos noite a dentro, o assunto sobre o qual passamos horas conversando sem parar... sempre foram momentos muito especiais.

Ao som de “A Montanha Mágica”, da Legião Urbana - minha banda preferida, estou dando início à esta jornada, que ainda não sei muito bem à onde vai me levar. O que sei é que preciso registrar essas memórias antes que elas me abandonem. Eu acredito que no futuro as memórias serão o meu bem mais valioso, serão o motivo das minhas alegrias e, porque não, das tristezas também. Sabe quando você vê uma pessoa rir sozinha, de repente? Acho que este serei eu daqui há uns 50 anos. Por enquanto, o que estou fazendo, é viver bem os momentos que tenho com pessoas muito queridas.

Como você talvez perceba, eu não sou escritor e nem fotógrafo, também não sou sommelier ou mestre cervejeiro. Meu propósito neste blog não é fazer propaganda de marcas de cerveja ou de bares, quero apenas falar sobre minhas memórias. Decidi que não vou estudar sobre cervejas em nehuma dessas escolas que estão surgindo aos montes por aí; eu vou deixar que meus sentidos me guiem nesta aventura, que eles me digam o que é agradável ou não. A cerveja também pode despertar sentidos!

O futuro
Mas o que sei mesmo é que sou apaixonado por história de todo tipo, seja ela da arte, das religiões, da música, das civilizações, da tua história e, mais importante, da minha. Por isso resolvi começar a escrever, a fim de registrá-la. Parece que é mais fácil memorizar algo quando ocorre uma experiência marcante, algo fora do comum, que desperte sentidos como nunca antes.. é assim que a cerveja entra na minha vida, num momento em que eu começo a olhar para o futuro que me aguarda, sem necessariamente entender o que vem por ai. A única coisa que talvez eu veja lá na frente, depois de quase tudo, seja um homem velho contando suas histórias para alguma criança, que pode ser seu neto ou bisneto, por isso inicio aqui o meu registro sobre como comecei a gostar tanto de cerveja.
Memórias que ainda serão contadas
Algumas memórias, bem guardadas e esperando para serem contadas.


Os desafios
Como demorei cerca de um ano para começar a escrever, acho que talvez não consiga me lembrar muito bem de todas e também vai ser uma tarefa complicada reunir todas as fotos que fiz, algumas se perderam com as trocas de celular, de computador pelas quais todas as pessoas passam atualmente, de ano em ano. Uma outra coisa que acho importante mencionar é que talvez eu não siga uma ordem exatamente cronológica, já que faz um bom tempo, são muitos rótulos e eu sou meio esquecido das coisas.

As boas vindas
Sem mais delongas, seja bem vindo ao meu blog!
Eu espero que você goste e até mesmo se identifique com alguma das minhas histórias e cervejas. Fique a vontade para ler, comentar e compartilhar. 

E, desde já, como você deve dizer por aí, Cheers, Salute, à votre santé, prost.. saúde!

Eduardo A. S. Amaral